Comeca aqui, dois dedos abaixo do peito, no meio. E vai subindo, ate a altugra da garganta. Desopis se transforma em no, desses cegos, que, embora voce tente, nao ve solucao pra desatar. Nao queima, nao doi, mas incomoda, tanto que nao te deixa dormir, tao pouco raciocinar. Priemiro eh calor, depois eh frio, depois eh impaciencia. . A dor, que nao eh dor, eh grande, trinca os dentes. O minusculo barulho que a fechadura da porta faz causa uma raiva absurda, ao ponto de querer quebrar. A vontade eh de chorar, de dar uns gritos em alguem, uns tapas, um ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, mas as lagrimas nao caem. Os olhos pesam dois quilos cada, mas nao fecham. Voce pede por uma dor mais forte, uma dor de verdade, que machuque, que incomede, mas lhe mostre a razao. Quem cai e quebra o braco sabe porque ta chorando, quem tem um redemoinho no meio do torax, nao. Tudo irrita, o excesso de movimento das maos, a porra da musica que nao entra, de proposito, no ipod, as palavras digitadas erradas, a falta de paciencia, a ausencia do porque, o fulando q nao atende o telefone, a mae q decide sua vida, a mentira que voce conta, a historia que voce acredita. A decisao que voce nao toma. O saber q nao vai passar rapido. O nao saber o que esta acontecendo.
Eis aqui uma pessoa angustiada.
Eis alguem sem paciencia com a propria angustia.
Me da carro e uma pista livre, preciso correr pra fugir de mim.
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