terça-feira, 6 de abril de 2010

PRIMEIRO POEMA

Que não me falte papel.
Que não me falte uma caneta.
pra' nos momentos de solidão
me fazerem compania.

Que não me faltem.
Pra' existir em mim possibilidades.
Pra' esboçar minha realidade.

Deixe sempre eu deitar aqui
O que ao resto do mundo não foi dito.

Ouçam-me.
Mesmo quando nem a menor das palavras
Tenha sido dita.

Velem minha tristeza.
Sequem minhas lágrimas.
Sejam coniventes com minhas aflições.
Do resto, que não me falte espaço e tinta
pras minhas alegrias.

No Ano Novo não quero um caderno bonito,
mas um rascunho disposto a me esperar.
E uma caneta que me console só no ver.

Deixem eu aqui me realizar.
Aqui chorar, sorrir, descansar.
Apresentar o tempo, as cores.
O sonho.

Estamos assim acordados:
Você me cede teu branco,
Eu te apresento meu mundo.
Você me acolhe.
E eu te aqueço.
Vocês me olham
E juntos descobrimos a vida.

A nós, um Feliz Ano Novo.

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